
Nas últimas semanas li algumas das colunas do jornal – as de sempre – e fiquei me perguntando porque até os escritores mais renomados e, teoricamente, mais independentes editorialmente, se propõe a escrever sobre o natal e, nesta semana, invariavelmente sobre o ano novo que se aproxima. Posso até entender que isso seja inspirador pois, até para quem não é religioso o Natal tem um significado bacana de família e serve, até para os sem família perceberem como se sentem em relação a isso.
Entendo a importância simbólica das datas e não sou hipócrita de dizer que não me importo com elas já que me preparo desde novembro para as benditas e tenho o costume de chorar muito na última. O que não entendo é a necessidade de se escrever sobre o que já sabemos. Que seus ânimos se renovem, muita saúde, paz e perseverança e coisa e tal. Tudo chega a soar teatral de tantas vezes que é repetido na noite do bom velhinho. Alguém acredita quando a sua tia, que você não vê há meses, chega até você e lhe deseja, claro, tudo o de bom? Não que ela não deseje mas, na verdade, quem me deseja mesmo tudo de bom, são as pessoas que convivem comigo, que conhecem e discutem os meus problemas ao longo do ano e que, quando esta data chega, não me desejam absolutamente nada. Porque os melhores presentes são comprados quando não há necessidade deles e os melhores desejos vem dos dias em que se senta junto e quebra-se a cabeça para tentar resolver um problema banal.
Isso é desejar tudo o de bom porque é fazer o bem acontecer de verdade, todos os dias. É ser alguém para alguém e se importar tanto a ponto de se desconcentrar na reunião de segunda no trabalho.
É por isso que choro no ano novo. Todo ano que se encerra, para mim, é um desabafo. É a sensação de que consegui, porra, eu consegui! Eu fechei esse ano sem dever a ninguém, trabalhando para caralho, mantendo meu casamento saudável e meu filho de desenvolveu incrivelmente. Muita merda aconteceu e eu precisei acumular, precisei não chorar para manter a minha cabeça sã. E de tantas lágrimas guardadas e tanto sentimento reprimido em prol da minha rotina saudável, me dou ao direito, bem no dia do réveillon, de chorar descomunalmente, de sentir todo o peso do mundo ser levado das minhas costas, simplesmente porque eu consegui fazer mais um ano ser levemente melhor que o anterior.
Mas, voltando ao tema que me fez sentar ao note, por mais que essas datas mexam de verdade com as pessoas, isso não deveria fazer delas um grande tabu? Por ser para mim, digo bull shit para tudo o que leio, de Drummond - o recordista do top ten da caixa de e-mails – a Martha Medeiros no jornal de domingo, porque eles, simplesmente, não tinham que escrever sobre isso!
Continuemos nossas crônicas sobre o nada. Que a Cora continue a escrever sobre seus gatos e que Dapieve se afogue nas ondas musicais. Mande o Jabor continuar a ser um pentelho e o pentelho da Veja e do Mahatann Connection – que de tão pentelho me escapou o nome agora – continue a falar mal do Lula. É só tempo! Mas, o mais importante, é que é o tempo de cada um. Tem que ser silencioso, tem que ser imoral e dramático e melancólico, cada um a ser modo. Simplesmente, não pode ser exposto na revista de domingo.
Porque vai ser falso, entende? Porque nenhum deles escreverá sobre a merda de ano que teve e que seu casamento acabou. Eles não vão contar que o 13º foi todo para as dívidas que ainda não se pagaram nem que sua mulher está grávida de um filho com síndrome de Down. Eles vão desejar saúde e paz. E a gente não vai ter saúde nem paz porque não são os desejos de final de ano que determinam o que vamos encontrar pela frente. São as pessoas que nos seguem, e que não se importam se a gente está com saúde ou com paz, por que elas estarão do nosso lado em ambas as negativas. Aliás, elas estarão, principalmente, nas negativas.
A magia dos desejos alheios está em não desejar absolutamente nada. Talvez, consumida por este pensamento insistente em minha cabeça é que, neste ano, não consegui responder a nenhuma mensagem feliz que os modernos SMS que enviaram. São pessoas queridas que se deram ao trabalho de catar as letrinha no teclado do celular e me escrever a mesma mensagem. E, eu, bem..., quando me deparei com tantas mensagens iguais só pude pensar que nenhuma daquelas pessoas fofas merecia a minha falsidade de volta. Então li, agradeci em pensamento já que a energia é a mesma, e me concentrei no fato de que este novo ano não vai ser fácil para ninguém. Para alguns mais, para outros menos. Para mim, difícil. O que não é novidade já que sempre achamos que a nossa vida é mesmo mais difícil do que a dos outros – forma mais simples de nos tornarmos heróis de folhetins mexicanos para nosso subconsciente e sermos mais felizes.
Provavelmente passarei a meia noite aos prantos. Vou agarrar meu filho, me ver nele, e chorar muito pela dificuldade que é ser um menino de 2 anos de novo. Meu marido, coisa fofa que é, vai ser o ombro mais aconchegante que ele jamais foi e eu vou amá-lo mais ainda, por mais um ano. Porque é assim que a minha vida se renova.
E, na segunda, eu volto ao trabalho. E ao tarja preta.
Obs: Diogo Mainardi.
Entendo a importância simbólica das datas e não sou hipócrita de dizer que não me importo com elas já que me preparo desde novembro para as benditas e tenho o costume de chorar muito na última. O que não entendo é a necessidade de se escrever sobre o que já sabemos. Que seus ânimos se renovem, muita saúde, paz e perseverança e coisa e tal. Tudo chega a soar teatral de tantas vezes que é repetido na noite do bom velhinho. Alguém acredita quando a sua tia, que você não vê há meses, chega até você e lhe deseja, claro, tudo o de bom? Não que ela não deseje mas, na verdade, quem me deseja mesmo tudo de bom, são as pessoas que convivem comigo, que conhecem e discutem os meus problemas ao longo do ano e que, quando esta data chega, não me desejam absolutamente nada. Porque os melhores presentes são comprados quando não há necessidade deles e os melhores desejos vem dos dias em que se senta junto e quebra-se a cabeça para tentar resolver um problema banal.
Isso é desejar tudo o de bom porque é fazer o bem acontecer de verdade, todos os dias. É ser alguém para alguém e se importar tanto a ponto de se desconcentrar na reunião de segunda no trabalho.
É por isso que choro no ano novo. Todo ano que se encerra, para mim, é um desabafo. É a sensação de que consegui, porra, eu consegui! Eu fechei esse ano sem dever a ninguém, trabalhando para caralho, mantendo meu casamento saudável e meu filho de desenvolveu incrivelmente. Muita merda aconteceu e eu precisei acumular, precisei não chorar para manter a minha cabeça sã. E de tantas lágrimas guardadas e tanto sentimento reprimido em prol da minha rotina saudável, me dou ao direito, bem no dia do réveillon, de chorar descomunalmente, de sentir todo o peso do mundo ser levado das minhas costas, simplesmente porque eu consegui fazer mais um ano ser levemente melhor que o anterior.
Mas, voltando ao tema que me fez sentar ao note, por mais que essas datas mexam de verdade com as pessoas, isso não deveria fazer delas um grande tabu? Por ser para mim, digo bull shit para tudo o que leio, de Drummond - o recordista do top ten da caixa de e-mails – a Martha Medeiros no jornal de domingo, porque eles, simplesmente, não tinham que escrever sobre isso!
Continuemos nossas crônicas sobre o nada. Que a Cora continue a escrever sobre seus gatos e que Dapieve se afogue nas ondas musicais. Mande o Jabor continuar a ser um pentelho e o pentelho da Veja e do Mahatann Connection – que de tão pentelho me escapou o nome agora – continue a falar mal do Lula. É só tempo! Mas, o mais importante, é que é o tempo de cada um. Tem que ser silencioso, tem que ser imoral e dramático e melancólico, cada um a ser modo. Simplesmente, não pode ser exposto na revista de domingo.
Porque vai ser falso, entende? Porque nenhum deles escreverá sobre a merda de ano que teve e que seu casamento acabou. Eles não vão contar que o 13º foi todo para as dívidas que ainda não se pagaram nem que sua mulher está grávida de um filho com síndrome de Down. Eles vão desejar saúde e paz. E a gente não vai ter saúde nem paz porque não são os desejos de final de ano que determinam o que vamos encontrar pela frente. São as pessoas que nos seguem, e que não se importam se a gente está com saúde ou com paz, por que elas estarão do nosso lado em ambas as negativas. Aliás, elas estarão, principalmente, nas negativas.
A magia dos desejos alheios está em não desejar absolutamente nada. Talvez, consumida por este pensamento insistente em minha cabeça é que, neste ano, não consegui responder a nenhuma mensagem feliz que os modernos SMS que enviaram. São pessoas queridas que se deram ao trabalho de catar as letrinha no teclado do celular e me escrever a mesma mensagem. E, eu, bem..., quando me deparei com tantas mensagens iguais só pude pensar que nenhuma daquelas pessoas fofas merecia a minha falsidade de volta. Então li, agradeci em pensamento já que a energia é a mesma, e me concentrei no fato de que este novo ano não vai ser fácil para ninguém. Para alguns mais, para outros menos. Para mim, difícil. O que não é novidade já que sempre achamos que a nossa vida é mesmo mais difícil do que a dos outros – forma mais simples de nos tornarmos heróis de folhetins mexicanos para nosso subconsciente e sermos mais felizes.
Provavelmente passarei a meia noite aos prantos. Vou agarrar meu filho, me ver nele, e chorar muito pela dificuldade que é ser um menino de 2 anos de novo. Meu marido, coisa fofa que é, vai ser o ombro mais aconchegante que ele jamais foi e eu vou amá-lo mais ainda, por mais um ano. Porque é assim que a minha vida se renova.
E, na segunda, eu volto ao trabalho. E ao tarja preta.
Obs: Diogo Mainardi.
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