
Rio 10 de junho de 09
- Quando envelhecemos ficamos muito solitários sabe, minha filha? Não somos mais úteis para muita coisa, trabalho, família, sociedade. O que tínhamos que dar a este mundo já foi dado e o que nos resta agora é entender que a morte é um fato natural, assim como se sentar a mesa para comer, ter necessidades biológicas – ele falou com um sorriso cativante envolvido por uma rala barba cor de neve que lhe tomava toda a bochecha.
- Mas o senhor está tão bem! Anda por este terreno inteiro, bebe meia garrafa de vinho no almoço e ainda tem fôlego para ir dar comida ao cachorro. Quantas pessoas chegam aos 92 com este ânimo?
- Só tenho a agradecer, minha filha, por ter conseguido manter minha cabeça lúcida para entender que isso faz parte da vida. Por isso tenho essa força física, por manter minha cabeça sã.
Será? Será que a chave para a longevidade da vida está dentro da nossa cabeça? Escutando de um senhor de mais de 90 anos isso me parece muito viável. Mais ainda se conseguir me lembrar de quantas vezes na minha vida minha mente me pregou peças e me gerou medos sem fundamento assim como implicou em entusiasmos em vão. O que ninguém ensina é como fazemos para evitar que a vida arrombe nosso sossego e deixe seqüelas que, pelo visto, podem ser responsáveis pela qualidade de nossa vida na velhice.
Pode ser medido pela capacidade de abstração de uma pessoa? Ou pela potencialidade de seu cinismo? Talvez pelo seu egoísmo.
Com certeza, não pelo seu nível de questionamento.
- Quando envelhecemos ficamos muito solitários sabe, minha filha? Não somos mais úteis para muita coisa, trabalho, família, sociedade. O que tínhamos que dar a este mundo já foi dado e o que nos resta agora é entender que a morte é um fato natural, assim como se sentar a mesa para comer, ter necessidades biológicas – ele falou com um sorriso cativante envolvido por uma rala barba cor de neve que lhe tomava toda a bochecha.
- Mas o senhor está tão bem! Anda por este terreno inteiro, bebe meia garrafa de vinho no almoço e ainda tem fôlego para ir dar comida ao cachorro. Quantas pessoas chegam aos 92 com este ânimo?
- Só tenho a agradecer, minha filha, por ter conseguido manter minha cabeça lúcida para entender que isso faz parte da vida. Por isso tenho essa força física, por manter minha cabeça sã.
Será? Será que a chave para a longevidade da vida está dentro da nossa cabeça? Escutando de um senhor de mais de 90 anos isso me parece muito viável. Mais ainda se conseguir me lembrar de quantas vezes na minha vida minha mente me pregou peças e me gerou medos sem fundamento assim como implicou em entusiasmos em vão. O que ninguém ensina é como fazemos para evitar que a vida arrombe nosso sossego e deixe seqüelas que, pelo visto, podem ser responsáveis pela qualidade de nossa vida na velhice.
Pode ser medido pela capacidade de abstração de uma pessoa? Ou pela potencialidade de seu cinismo? Talvez pelo seu egoísmo.
Com certeza, não pelo seu nível de questionamento.
obs: crédito da foto: Rafael Amorim
3 comentários:
Não diria cinismo, mas cuca fresca sim. Não se perder sas coisas simples - e por que não - práticas da vida. Esses dias perguntei a minha vó (também com mais de 90), enquanto via ela olhar as fotos do casamento dela (que ocorreu em 1945. Repito: 1945!) :
- Vó, parece que foi ontem ou parece que foi há muito, muito tempo?
- Parece que foi ontem...
Medo, né? De piscar e um dia ter 90 anos.
Uma citação para complementar o post:
"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais. [...] A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia.
Pisca e mama;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é? "
Memórias de Emília,1936. Monteiro Lobato
Bjs
Ok, isso foi meio assutador. Mas, se pensarmos pelo outro lado, facilita os próximos passos da vida. Se eu soubesse que a fase baby do Matheus passaria tao rápido, por exemplo, acho que teria ficado menos ansiosa. Deve ter alguma coisa a ver com a famosa maturidade que só passamos a ter quando coisas acontecem e não apenas quando envelhecemos, certo?Ou sou apenas a mesma otimista de sempre, hã, hã???
Obs: coisa fofa demais esse trecho. =)
Letra a: Você é uma otimista incorrigível.
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