segunda-feira, 6 de julho de 2009

Experimentando a sensação de merdas públicas

-Não é tanto assim! Na verdade, se você parar para reparar, nosso inferno começou há 15 dias, antes disso não tínhamos problema algum!
-Hã?!
Então é só eu??? Na verdade, eu poderia entender uma certa histeria de minha parte se conseguisse olhar em volta e enxergar satisfação. Qualquer pessoa é capaz de transformar o ambiente a sua volta em um inferno quando não está satisfeita, certo? Mas não foi! O processo foi de fora para dentro, foi clima ruim, foi medo e decepção, foram pessoas pedindo um pouquinho de atenção, querendo seu trabalho reconhecido.
Isso não tem a ver com a hora trabalhada, com o almoço perdido e muito menos com a quantidade de refação. Somos publicitários, trabalho enlouquecido faz parte do nosso DNA e é mentira dizer que não existe uma pontinha de prazer em todo esse desespero, essa corrida contra o tempo, essa batalha muda para quem trabalha mais e está mais cansado. Ficar sem ter o que fazer nos enlouquece e nos mata de tédio. Quem realmente sofre com isso, muda. Simples assim (!!), é como um médico viciado em seus plantões. Ok com isso, gente, pelo amor de Deus!
No fundo todo publicitário gosta desse ambiente cool de trabalhar de noite, não ter hora para sair e se fazer de coitado porque não consegue ver a família. Algum de nós tentou um concurso público (ou insistimos nele?).
Se essa fosse a questão, se esse fosse nosso único problema, seríamos felizes. Mas o que vejo está longe dessa dependência enlouquecida pela ausência de vida. Estaríamos todos compensando algo???
O que vejo são pessoas que queriam reconhecimento, assim como eu, todos eles, queriam apenas uma unidade, alguém que entendesse que não se dá o sangue à toa, que o que se faz vale muito e que temos mais orgulho disso do que o que fazemos em nossa vida particular. Porque isso é nossa vida, deus do céu! São horas, muitas horas, lendo mais de 200 e-mails por dia, não importa de você é assistente ou gerente, sua caixa não comporta tanto pedido, sua memória não suporta tanta informação e sua astúcia não permite ausência de erros.
Então porque todos esquecem, assim como num passe de mágica, o quanto sofrem com essa falta de talento e de reconhecimento? Só porque uma migalha de compaixão foi apresentada? Esse amor é muito maior do que eu poderia conceber!
Fico me perguntando se assim o é para mim. Acredito que não e fico transtornada de saber como as pessoas conseguem ser ingênuas mesmo tendo consciência de que eu sou a princesa desse reino. Deve ter um pouco de auto punição nessa brincadeira toda.
Peço desculpas públicas por não ter conseguido não expor essa ferida. Por ter deixado todos e a mim própria com a bunda de fora, com nossas fraquezas, tão comuns, abertas, para qualquer um colocar o dedo e não deixar cicatrizar.
Tive uma decepção cruel e falsa. Sei que na verdade isso não tem nada a ver com os outros mas comigo mesma, que precisava que as pessoas de sentissem traídas da mesma forma que eu. Repetindo eu, novamente, naquela bendita mesa de bar: não se pode exigir dos outros o que você é capaz de suportar. Porque eu exijo que eles sejam tão fracos quanto eu e sucumbam a essa falta de sentido de vida? Porque não pode parecer mais leves para eles do que para mim? Porque não pode ser suportável? Eu não me imaginava tão egocêntrica e agora não consigo mais sair dessa mão de baralho falida.
Não me canso de passar pela vida pedindo desculpas aos outros pela minha mania de sofrer a dor alheia – sem que ninguém me peça isso, sem que ninguém, sequer, queira reconhecer que alguma coisa possa efetivamente doer dentro de si. Que merda de pessoa sou tentando arrumar problema para os outros? Porque eu não consegui deixá-los em paz?

Um comentário:

Litza disse...

Era para eu entender? Não, né? Me liga quando quiser para descifrar a mensagem. Bjo